Adorando a Deus com o Ordinário.


Hino para acompanhar o devocional.

“Em tudo dai graças; porque esta é a vontade de Deus em Cristo Jesus para convosco. 1 Tessalonicenses 5:18 ARA”

 

Muito se fala sobre a adoração, como fazê-lo e como deve-se entendê-la, de forma genérica e recorrente aprendemos que a adoração que o Pai procura é feita em espírito e em verdade (Jo 4:23). Mas há, um erro terrivelmente ensinado nas igrejas, a valorização espiritual acima do racional, quando Cristo tem esta conversa com a Mulher Samaritana, temos de entender o todo da conversa e não apenas um versículo isolado, é nítido que Cristo falava do Espírito Santo, mas não em suas manifestações em meio a seu povo, como em um culto fervoroso, mas dos frutos gerados por um relacionamento diário e real com Ele.

Ao observarmos o inicio da conversa entre Jesus e a Mulher Samaritana, é bom nos atentarmos em como Cristo é intencional em tudo que fala e faz, Cristo muda a rota de sua viagem para passar pelo posso de Jacó, Ele sabia da rixa entre Samaritanos e Judeus, Ele sabia da discussão sobre onde e como adorar, Ele conhecia a vida que aquela mulher levava, assim como Ele sabe cada detalhe de nossa história.

Cristo pede água a mulher, mesmo sabendo que estava fazendo algo que era ordinariamente contraditório, quase que bobo, mas era o que Ele precisava para iniciar uma das melhores e mais reveladoras conversas de seu ministério terreno.

Ela o confronta como alguém já acostumado a se defender de ofensas veladas, ela na era bem aceita pelos Judeus e nem pelos Samaritanos, ironia era sua maior arma. Mas graciosamente Cristo devolve o ataque respondendo docemente: “Se ao menos você soubesse que presente Deus tem para você e com quem está falando, você me pediria e eu lhe daria água viva”(Jo 4:10). Veja que Cristo, a abordou de modo comum, em sua rotina comum, para revelar-se a primeira vez para alguém como o Messias, escolha curiosa a do nosso Senhor, Ele poderia se revelar a alguém com mais influencia social que o ajudasse em uma campanha política para combater o domínio de Roma, Ele poderia se revelar a alguém mais culto como os fariseus que passavam suas vidas estudando e se separando a Deus e todos seus desdobramentos conceituais, Ele poderia se revelar a alguém rico que lhe oferecesse grandes presentes, mas Ele decidiu pelo completo oposto, se revelar a alguém desajustado em seu próprio povo, rejeitado, sem grandes riquezas, sem referências boas, que lhe recusara servir-lhe água, alguém tão comum que passava despercebido.

Cristo continua a conversa, surpreendendo a mulher dizendo que Ele tinha um tipo de água que matava a sede eternamente – Que grande solução! – Talvez pensara a mulher, não ter mais que enfrentar o sol escaldante do meio dia para buscar água todos os dias,  pois era a única forma que lhe restara de preserva-lhe um resto de dignidade, que lhe sucumbia a não passar por mais julgamentos e talvez até ofensas de outras mulheres e pessoas, pela vida que a mesma levava, já tendo tido cinco maridos e estando agora com o sexto como abrasada. Cristo a confronta revelando saber de sua realidade, a mulher tem como reação não uma tentativa de justificar-se mas um sobresalto de dúvidas, e percebe – Há algo de diferente neste homem! – Ela então questiona a Cristo sobre onde deve se adorar e Cristo a ensina sobre a necessidade de adorar o pai em Espírito e em verdade, ele ensina sobre a união de duas realidades a espiritualidade que os Samaritanos tinham e a racionalidade que os Judeus tinham, mas Cristo veio para apontar a união dos dois paralelos. Como uma ponta de esperança a mulher declara: “Eu sei que o Messias virá. Quando vier. Ele nos explicará tudo!” e Então Jesus lhe responde: “Sou eu, o que fala com você!”(Jô 4:25,26). Nesse momento com o Cristo revelado, a mulher sai falando a todo o povo sobre o Messias chamando todo o povo para conhecê-lo.

Essa é a grande beleza de encontrar o Senhor no ordinário de adorá-lo em espírito unido com a verdade da razão, dar graças a Deus em tudo é tornar sagrado cada extensão de nossas vidas e ter conversas como a do poço de Jacó com Cristo até em nossos afazeres, como fez a Mulher Samaritana e depois comunicar essas verdades a todos a nossa volta. Há um Cristo em nossos poços rotineiros, nos esperando para conversas profundas, para revelações de quem Ele é. Há um Cristo nos esperando em cada manhã, trabalho, pia de louças, afazeres domésticos, idas ao banco, rotinas de estudo e tudo mais que lhe pertence, apenas esperando que a onde não somos vistos por olhos humanos, bastem os olhos gentis e confrontadores do Cristo que se revela a pessoas comuns, em suas vidas comuns, para mostrar o extra-ordinário de sua presença em nosso ordinário.

 

Assim como escrito por Andy Crouch, no prefácio do Livro, Liturgia do Ordinário de Tish H. Warren.

“A estrutura deste livro é simples com um toque de genialidade.

É como um dia, desde os nossos primeiros momentos ao acordar de manhã na primeira página até cairmos no sono na última. Nada mais e nada menos. Mas, no meio disso, com o dom de escritor (na verdade, de poeta) de desacelerar e prestar o melhor tipo de atenção, Tish Harrison Warren conecta os momentos de um dia ordinário com o padrão extraordinário da adoração cristã clássica.

Ao fazê-lo, Tish destrói a mais teimosa das heresias cristãs: a ideia de que há uma parte sequer das nossas vidas que é secular, intocada e desconectada da obra real sagrada de culto e oração. Essa distorção da condição humana assumiu muitas formas ao longo dos séculos, embora devesse ter sofrido um golpe decisivo pela vida terrena de Jesus como Filho do Homem e Filho de Deus. Ela assume muitas formas nos nossos dias.

Algumas são mais fáceis de reconhecer do que outras. Há a nossa tendência de falar do templo como se fosse, de alguma forma, mais importante para  Deus do que o ambiente de trabalho ou o lar, e aqueles que são (como Tish) especialmente ordenados para trabalhar ali como sendo, de alguma forma, mais próximos de Deus do que os que trabalham na loja de conveniência ou no escritório.

Mas também há a busca mais sutil por uma vida apropriadamente “radical”, uma vida de sacrifício e serviço abundantes, uma vida que pareça obviamente separada para algo a mais do que a vida mundana e (começamos a pensar) sem importância. Nesta versão daquele antigo erro, o trabalho sem fins lucrativos é mais espiritual do que o com fins lucrativos; bairros de periferia são mais espirituais do que os nobres; bicicletas são mais espirituais do que sedans.

Sendo consagrada ao ministério e tendo investido a sua vida para servir aos pobres materiais e espirituais de uma forma radical, Tish é a pessoa perfeita para nos ajudar a descobrir quão errôneas são essas distinções entre sagrado e secular. Como todas as heresias, está aqui só pode ser derrotada pela beleza da ortodoxia, e a bela ortodoxia que mina toda a nossa tola secularização é aquela doutrina cristã que nunca deixa de ser surpreendente: a encarnação. O Verbo se tornou carne. O Verbo foi pescar. O Verbo dormiu. O Verbo acordou com mau hálito. O Verbo escovou os dentes, ou teria escovado, se o Verbo fosse um americano do século vinte e um ao invés de um judeu do século primeiro. Essa crença cristã singular é incrível, francamente horripilante e muda vidas.

E é igualmente maravilhoso que a genialidade deste livro consista em nos mostrar que a destruição vai no outro sentido também. Na opinião de Tish e na experiência de qualquer cristão honesto, a própria liturgia sagrada é nada mais que ordinária a maior parte do tempo. Fazemos as mesmas orações, os mesmos gestos, chegamos e saímos, em certo sentido, do mesmo jeito do que no domingo passado e no domingo que vem. (O que é igualmente verdade, é claro, para cristãos que adoram em igrejas não litúrgicas!).

Não é só que o secular está permeado com o sagrado. O próprio culto é composto por coisas ordinárias. Usamos palavras comuns. Algumas das palavras mais gloriosas no Livro de Oração Comum de Thomas Cranmer são, bem, comuns e claras o suficiente para te fazerem chorar: “não fizemos o que deveríamos fazer e fizemos o que não deveríamos fazer, e não há saúde em nós”. Somos batizados com água comum. Comemos pão e vinho comuns. E tudo é feito por pessoas comuns.

Mas tudo isso está longe de ser ordinário. Os nossos corpos, os nossos prazeres, os nossos medos, a nossa fatiga, as nossas amizades, as nossas lutas: na verdade, é disso que é feita a nossa formação e transformação nas frágeis, mas infinitamente dignas, criaturas que fomos feitos para ser e que nos tornaremos. Os nossos momentos de exaltação e nossos bocejos reprimidos: todos andam juntos, partes da vida que, como um todo, devemos oferecer a Deus dia a dia, bem como domingo a domingo, a vida que Deus assumiu na sua própria vida. É a vida que o próprio Cristo assumiu e assim resgatou e redimiu.

Com os seus momentos hilários e com suas descrições de uma vida vivida imperfeitamente, mas bem vivida, esta é a grande bênção de um livro, um livro ordinário, de certa forma, mas também nada ordinário. Toma e lê. Provai, não só o vinho e o pão, mas também misto quente e café — e vede. O Senhor é bom. “Cada centímetro quadrado das nossas vidas, a cada segundo, é dEle.”

 

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