ATIVISMO SOCIAL VS CRISTIANISMO
Antes
de começar a reflexão a respeito do ativismo social e o cristianismo, devemos
começar tentando entender o conceito do que é ativismo.
ativo + -ismo:
transformação da realidade por
meio da ação prática.
O ativismo de hoje é fruto de
distintas mobilizações populares com natureza política que aconteceram ao
longo dos anos no mundo inteiro – desde as lutas do movimento operário do
final do século XIX; a luta pelos direitos civis sediada em vários
continentes; os movimentos antiguerra, antinuclear e pacifistas; o surgimento
do próprio movimento ecológico e ambientalista, a partir das décadas de 70 e
80, como uma tentativa de salvar o Meio Ambiente; até as mais recentes greves
entituladas “Fridays For Future” que representam uma jornada global
da juventude contra os governos que insistem em não tomar medidas práticas
frente às emergências climáticas.
Falar de Ativismo Social não é falar de
cidadania, sendo esta uma pauta em extrema necessidade de discussão numa
sociedade que sofre com a dualidade do imenso fluxo de informação, porém, por
fontes muitas vezes polarizadas, deixando de lado, as discussões ideológicas,
que costumam acompanhar esta pauta, o Ativismo Social, além de ser um tema
atual e que deveria ser de conhecimento de todo cidadão, deveria ser a causa
pessoal daqueles que se dizem Cristãos, por ser, um tema de recorrente aparição
pela bíblia, através do conceito de Justiça, conceito este denominado como
sendo um dos alvos de amor do próprio Deus (sl 33:5), mas o que a maioria
parece esquecer é que a Justiça de Deus, está sempre atrelada a defesa de uma
minoria, ou de como gosto de refletir, aos rejeitados, podemos perceber por
toda a bíblia, que Deus, tem como causa pessoal a defesa dessas minorias.
Em Isaías, ele determina aos
Hebreus: “Aprendei
a fazer bem; procurai o que é justo; ajudai o oprimido; fazei justiça ao órfão;
tratai da causa das viúvas. Isaías 1:17”
Em Miquéias, novamente, reitera: “Ele te declarou, ó homem, o que é bom; e que é o que o Senhor pede
de ti, senão que pratiques a justiça, e ames a benignidade, e andes
humildemente com o teu Deus? Miquéias 6:8”, Em Salmos, “O Senhor faz justiça e defende a causa dos oprimidos. Salmos 103:6”.
Jesus em todo seu ministério,
desde seu nascimento, na pequena Belém, até de sua origem da menosprezada
Belém, demonstra que viria não para aqueles já aceitos e incluídos na sociedade
judaica da época, mas ele se voltaria, para onde ninguém estivesse olhando e de
lá, começaria seu ministério reconciliador, em Mateus 11:5, Jesus demonstra
para quem Ele veio, “Os cegos veem, e os
coxos andam; os leprosos são limpos, e os surdos ouvem; os mortos são
ressuscitados, e aos pobres é anunciado o evangelho.” Nisso, Jesus
demonstra o Messias, Servo e Sacerdote, uma terrível afronta ao que os Judeus
esperavam de um Messias Salvador.
Por que um Messias crucificado
era absurdo para o povo da Judeia?
As profecias sobre um messias (ou
Ungido) foram dadas a Davi (século X a.C.) com a promessa de um descendente que
governaria eternamente em Jerusalém
(2Sm 7:12-16). Na crise dos reinos de Israel e Judá (séculos VIII e VII a.C.),
os profetas se ocuparam da esperança
desses Messias. O profeta Miqueias disse que ele seria um governante oriundo dos tempos antigos, permanente guia do povo e engrandecido até os confins da terra (Mq
5:2-4). O profeta Isaías trouxe belas metáforas sobre o Messias como
conselheiro, Deus Forte, príncipe da paz, reinando para sempre no
trono de Davi, firmado em justiça com força em nome do zelo divino (Is 9:6-7). Com a rebelião dos Macabeus (séc. II a.C.),
desenvolveu-se a ideia do Messias
guerreiro, que expulsaria os invasores e implantaria o Reino de Deus pela força das armas.
O Antigo Testamento trouxe também outros
tipos proféticos como o profeta (Dt
18:18). Mas o mais controverso deles era o Servo de Iahweh, ou o Servo
Sofredor, o desprezado que sofre e carrega sobre si os pecados de todo
o povo. Que relação teria um rei
vitorioso com um servo desprezado ? Não havia
paralelo entre o Messias e o Servo Sofredor. Mas Jesus trouxe a revelação de
que os dois seriam precisamente a mesma pessoa.
Jesus inverteua lógica do mundo e da expectativa popular. O rei não veio
para dominar as pessoas, mas para servir
seu povo. Como servo e representante da nação, ele sofreu e morreu por todos. Na sua entrega amorosa, venceu a violência do
reino mundano. Na sua ressurreição,
venceu o último inimigo – a morte. Por isso, o cristianismo é a única das
grandes religiões a ter como ponto central da fé a humilhação suprema de seu
Deus.
Isso é escândalo para os Judeus e loucura para os gentios. (1 Co 1:23).
Não seria diferente na geração do hedonismo, onde cultuamos o mero prazer
e egocentrismo, ainda é escândalo para
o povo de Deus, se pregar um Evangelho do Criador que lava pés e serve. Mas,
temos que como servos de um Deus que em toda sua vida nos deu exemplos
intermináveis de serviço as minorias e pequenos, ter como missão diária e causa
pessoal, servir nosso próximo, sendo em nossas comunidades os primeiros a
defenderem e se empenharem no ativismo social. Por fim, para terminar esta
reflexão, minha passagem predileta a respeito deste tema, é a que Jesus, mostra
como Ele se sentia a respeito daqueles que perante as mazelas deste mundo
caído, se tornam inertes e apáticos, a seus sofrimentos.
“Porque tive fome, e destes-me de comer;
tive sede, e destes-me de beber; era estrangeiro, e hospedastes-me;
Estava nu, e vestistes-me; adoeci, e
visitastes-me; estive na prisão, e foste me ver.
Então os justos lhe responderão, dizendo:
Senhor, quando te vimos com fome, e te demos de comer? ou com sede, e te demos
de beber?
E quando te vimos estrangeiro, e te hospedamos?
ou nu, e te vestimos?
E quando te vimos enfermo, ou na prisão, e fomos
ver-te?
E, respondendo o Rei, lhes dirá: Em verdade vos
digo que quando o fizestes a um destes meus pequeninos irmãos, a mim o
fizestes.
Então dirá também aos que estiverem à sua
esquerda: Apartai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno, preparado para o
diabo e seus anjos;
Porque tive fome, e não me destes de comer; tive
sede, e não me destes de beber;
Sendo estrangeiro, não me recolhestes; estando
nu, não me vestistes; e enfermo, e na prisão, não me visitastes.
Então eles também lhe responderão, dizendo:
Senhor, quando te vimos com fome, ou com sede, ou estrangeiro, ou nu, ou
enfermo, ou na prisão, e não te servimos?
Então lhes responderá, dizendo: Em verdade vos
digo que, quando a um destes pequeninos o não fizestes, não o fizestes a mim. Mateus 25:35-45”
É impossível após uma reflexão
rápida, professar uma fé, firmada em Jesus sem se atentar a estes pontos, se
você realmente diz ser cristão e nunca se envolveu em nenhuma atividade social,
é necessário uma profunda análise do que você acredita, o ministério de Jesus e
sua vida aponta para o seu sacrifício na
cruz, para a sua obra reconciliadora, isso deve determinar nossa vida e
práticas como uma bússola norteadora que leva diretamente para um
relacionamento pessoal, além de ser a prática necessária do exercício político
e de cidadania, que é a manutenção de uma sociedade evoluída e do Estado
Democrático de Direito, para encerrar essa breve explanação, deixo um poema de
Bertolt Brecht, que melhor expõe a necessidade de estar ativamente empenhado no
ativismo social, em uma sociedade que exerce plenamente seus direitos e deveres
individuais.
Primeiro levaram os negros
Mas não me importei com isso
Eu não era negro
Em seguida levaram alguns operários
Mas não me importei com isso
Eu também não era operário
Depois prenderam os miseráveis
Mas não me importei com isso
Porque eu não sou miserável
Depois agarraram uns desempregados
Mas como tenho meu emprego
Também não me importei
Agora estão me levando
Mas já é tarde.
Como eu não me importei com ninguém
Ninguém se importa comigo.


Comentários
Postar um comentário