Um chamado a Mordomia.

Ouça - Que Ele cresça - Deigma Marques


“Portanto, que todos nos considerem servos de Cristo e encarregados dos mistérios de Deus. O que se requer desses encarregados é que sejam fiéis.”

1 Coríntios 4:1-2

 

Todo cristão, ao reconhecer Cristo como seu Salvador, recebe um chamado. Este chamado estar em ser servo assim como Cristo o foi, um desafio e tanto para uma geração voltada para o culto ao hedonismo, mas diariamente somos convocados a submetermo-nos à este mandamento.

Servir, não se trata apenas à nossa vida em comunidade, é mais que isso, exige não só o sacrifício de nós mesmos, mas a morte e constante combate ao caráter pecaminoso que decidimos todos os dias renunciar na vida com Cristo.

Mas  o que é ser um mordomo de Deus?

É aquele que é incumbido da direção e administração de uma casa. Ele não é o dono da casa, mas o dono da casa lhe confia tudo o que é seu para ser cuidado e desenvolvido pelo administrador, desde terras, dinheiro, jóias, esposa, filhos, alimentação da família e administração de tudo que isso envolve.

O primeiro humano foi posto sobre administrador de um jardim, de animais, frutos e sua esposa. Adão em sua perfeição caminhava todos os dias e tinha acesso ao Senhor, dando lhe o retorno de tudo o que ele cuidava durante o dia, sua esposa, ao juntar-se a ele como auxiliadora, veio com uma missão dada aos dois, a de “crescerem, multiplicarem e sujeitarem a toda criação” (Gn 1:28), sozinho Adão era um administrador, com Eva eles eram o futuro de uma civilização, incumbidos de passarem a seus filhos o chamado a mordomia, uma característica linda de nosso Senhor é o fato dEle ser relacional e buscar sempre nos incluir em seus planos como seus mordomos.

Há algo importante nesta convocação, é reconhecer o senhorio de Deus sobre nossos corações, vontade  e vidas.

 

A mordomia de coração, vontades e vida.

 

Somos a geração com maior acesso a informação, chamamos este fenômeno de Sociedade da Informação, em fração de segundos recebemos e compartilhamos informações sobre nós e nossas vidas, temos acesso a uma quantidade enorme de conteúdos de autoajuda e motivacionais, porém em contrapartida estamos virando seres com dificuldades de se relacionar, a ascensão do metaverso e plataformas digitais que substituem nossas necessidades gregárias estão cada vez mais em alta, tudo ao meu ver nascido de uma frequente e evidente tentativa de fugir da esmagadora questão que persegue nossa existência “qual o sentido de nossas vidas?” Enfrentar esta pergunta, é questionar quem somos e onde queremos chegar, mas para isso é necessário reconhecer o que geramos em nossos corações, para só assim ter um norte por onde começar, Salomão em Provérbios aconselha: “guarde seu coração pois dele procedem a saídas da vida” 4.23.

Precisamos entender o que motiva nossos corações e o que ele adora para que entendamos quem é nosso Senhor, Lucas no capítulo 12, versículo 34, nos lembra “onde estiver o vosso tesouro, aí estará tamém o vosso coração”. Nossos corações não são imparciais quanto a adoração, ainda que não quisermos adorar a Deus, adoraremos algo, e aquilo que adoramos diz muito sobre onde está nosso coração e em que direcionaremos nossa vida.

Para isso temos que filtrar nossas palavras e observarmos os nossos comportamentos para analisar se estes refletem um coração no centro da vontade de Deus, mais uma vez Lucas nos alerta para a importância de nossos comportamentos e palavras, “o homem bom do bom tesouro do seu coração tira coisas boas, mas o homem mau do mau tesouro do seu coração tira coisas más, porque a sua boca fala do que o seu coração está cheio” 6:45, um coração fingido não faz parte de um caráter gerado pelo espírito, se houve uma transformação real temos que revelar isso em nossas atitudes e palavras, ser Mordomo de Deus é também devolver a Deus o senhorio de nossos corações, pois só Ele é quem verdadeiramente esquadrinha as intenções dos corações. O primeiro passo para a verdadeira mordomia em Deus e um coração totalmente submerso à vontade e autoridade de Deus, nos lembremos que uma coisa o Senhor prefere a obediência e não sacrifício (1 Sm 15:22), uma subjugação diária de nossa mente, Paulo usa o termo trazer a cativo nosso entendimento para submissão a mente de Cristo, isso exige renúncia e constância (2 Co 10:5).

 

Só assim, conseguiremos levar a mordomia para o campo de nossas vontades vivendo o que Jesus ensina, “Se alguém quer vi após mim, negue-se a si mesmo, e tome cada dia a sua cruz, e siga-me” (Lc 9:23), em nosso ultimo retiro de jovens na igreja em que congrego, passamos um fim de semana de carnaval, refletindo sobre o tema, lembro-me do pregador nos alertar que esta cruz a que Jesus se retrata, são as nossas vontades, é a nossa carne, o que mais a frente Paulo ilustra como a guerra entre a carne e o espírito, servir em Mordomia ao Senhor, é diariamente renunciar nossas vontades, seja no perdão que ofertamos aos que nos ferem, seja na gentileza que escolhemos tratar nossos cônjuges e filhos num momento de raiva, se escolhemos nestes momentos de estresse e sofrimento atender ao renunciar-se a si mesmo que Cristo nos pede, vivemos a Mordomia em nossas vontades, abrir mão do nosso direito de justiça não é das tarefas  mais fáceis, mas se reconhecemos o Senhorio de Deus em nossas vontades, nosso marido ou esposa, não é mais nosso, mas sim a noiva de Jesus, nossos filhos não são nossos, mas heranças dEle, aquele que nos ofende não é nosso inimigo, mas sim alguém, por quem Cristo deu a sua vida, ao pensarmos dessa maneira não nos colocamos como nosso Senhor, mas vemos uma oportunidade de nos melhorar, de exercer a paciência, de sermos fiéis mordomos, de agir como José confiantes que em tudo Deus tem um propósitos, e somos apenas os administradores temporários dessas pessoas e situações.

 

Ao atingirmos esta graça, podemos passar para a mordomia em nossas vidas.

Ao conseguirmos servir ao Senhor em mordomia em nossos corações e vontades, será muita mais fácil, dispor de nossos bens, talentos, profissão, família, a mordomia, pois teremos um espírito completamente satisfeito em servir aos outros e a Cristo, com nossa disposição e recursos, ao estudar este tópico, eu sentia um direcionar inexplicável do Espírito a me recordar do que um dia em um chá da tarde, de uma visita uma senhora já de cabelos brancos e muito fiel ao Senhor me aconselhou, eu era bem nova, mas me lembro de como aquilo me marcou, esta senhora já idosa, com algumas dificuldades em sua saúde já não podia mais congregar assiduamente como tivera por longos anos costume, mas ao se recordar de como sua casa era sempre cheia de hóspedes frutos de sua fervorosa fé na igreja, desabafou que a maior tristeza de sua vida, era os filhos fora da casa de Deus quando adultos, ela então num suspiro carregado de experiência me disse: “Atitudes públicas tem que nascer do que transborda na intimidade”, na época não compreendi tanto aquilo, mas com o passar dos anos compreendi, que servir na igreja, aos irmãos, servir com meus recursos, bens, tempo e disposição, tem que nascer de uma intimidade transbordante, se não consigo servir aqueles que me acompanham na corrida da fé, mais de perto, como servirei aqueles de longe? Isto pode acontecer e acontece, mas o fim é sempre trágico e nada satisfatório Cristo não nos chamou a superficialidade, mas sim a uma genuína fé, que começa na intimidade e só depois transborda para outros, os primeiros a servirmos tem que ser nossas famílias, lembre-se sempre, Noé salvou a família dele e obteve aliança com Deus, Adão e Eva, voltaram-se contra Deus e contra si mesmos e obtiveram o pecado. Assim termino, com as palavras de Paulo: “Se por estarmos em Cristo nós temos alguma motivação, alguma exortação de amor, alguma comunhão no Espírito, alguma profunda afeição e compaixão, completem a minha alegria, tendo o mesmo modo de pensar, o mesmo amor, um só espírito e uma só atitude. Nada façam por ambição egoísta ou por vaidade, mas humildemente considerem os outros superiores a vocês mesmos. Cada um cuide, não somente dos seus interesses, mas também dos interesses dos outros. Seja a atitude de vocês a mesma de Cristo Jesus, que, embora sendo Deus, não considerou que o ser igual a Deus era algo a que devia apegar-se; mas esvaziou-se a si mesmo, vindo a ser servo, tornando-se semelhante aos homens. E, sendo encontrado em forma humana, humilhou-se a si mesmo e foi obediente até a morte, e morte de cruz! Por isso Deus o exaltou à mais alta posição e lhe deu o nome que está acima de todo nome, para que ao nome de Jesus se dobre todo joelho, nos céus, na terra e debaixo da terra, e toda língua confesse que Jesus Cristo é o Senhor, para a glória de Deus Pai. Assim, meus amados, como sempre vocês obedeceram, não apenas na minha presença, porém muito mais agora na minha ausência, ponham em ação a salvação de vocês com temor e tremor, pois é Deus quem efetua em vocês tanto o querer quanto o realizar, de acordo com a boa vontade dele. Façam tudo sem queixas nem discussões, para que venham a tornar-se puros e irrepreensíveis, filhos de Deus inculpáveis no meio de uma geração corrompida e depravada, na qual vocês brilham como estrelas no universo, retendo firmemente a palavra da vida. Assim, no dia de Cristo, eu me orgulharei de não ter corrido nem me esforçado inutilmente. Filipenses 2:1‭-‬16 NVI” 


Por fim, Que Ele cresça e que nós diminuamos, em nossos corações, até Ele ser o centro de nossas vidas, oro para que essas verdades penetrem em seu coração e sejam como que escritas nele, que o Espírito Santo te comunique essas verdades. Com um a Paz do Senhor me despeço, na certeza de que você ouvirá este chamado a mordomia e alegremente responderá com um pronto: Eis me aqui, Que o Senhor Cresça e eu diminua! Até mais. 

 

 

 

 

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